SetUp parte de uma pesquisa sobre a percepção no espaço teatral - espaço onde o texto e o contexto se fundem numa teia de mecanismos onde se subverte a relação com o espectador. Na sequência de Pixel, esta pesquisa vive da mesma preocupação, mas revela-se agora nos detalhes, nos espaços esquecidos, num universo espacial intrigante onde o mote é ainda a comunicação e a intimidade.
Espaço idiossincrático, tal como a ideia mesma de criação - recusa em aceitar o espaço onde se inscreve a obra como algo de pré-definido e separado da mesma. Local de reflexão, de transgressão e de dúvida, situado no âmago da experiência teatral.
Ver é ser visto, e quase nada nos separa do que nos observa, e, no entanto, este jogo de proximidade conduz igualmente a uma distância crítica, a territórios onde as fronteiras se voltam a colocar.
Por isso "SetUp" fala de comunicação. "Se me disseres quem és, conto-te uma história", ou ainda "diz-me quem és, dir-te-ei quem sou". Em SetUp o que se diz é irrelevante pois a comunicação passa pelo corpo. Anuir não significa comunicar e a discórdia é frequentemente um acto muito mais íntimo. O texto é o corpo. O contexto é igualmente o corpo. A comunicação existe, mas o espaço de manobra é cada vez mais limitado - o tempo, esse, há muito que se esgotou.
"A cadeira partiu-se, mas podes sentar-te nela"
Rui Horta