O encantamento impassível dos seus sons (e vozes) não se apagou. Apenas se fragmentou em aventuras e experiências individuais que um dia alguém irá, com certeza, mapear e historiar. Entretanto, não nos resta outra coisa senão seguir os rastos que a banda nova-iorquina vai deixando. Sim, porque para todos os efeitos, ela ainda não morreu. A colaboração de mais uma década entre Kim Gordon e Ikue Mori atesta isso mesmo, num disco admirável (“SYR5”, de 2000, que conta com a colaboração de DJ Olive) e em diversas atuações ao vivo. A voz e a guitarra da baixista dos Sonic Youth parecem destacar-se – como todas as coisas reconhecíveis – mas são as vibrações, os gritos e as batidas que a antiga percussionista dos DNA arranca do laptop, que devolvem a Kim Gordon uma (hoje) rara liberdade para improvisar e fantasiar.