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Sábado, 24 Setembro | 22h00
Dança | Grande Auditório
Memórias de um Sábado com Rumores de Azul
Companhia Paulo Ribeiro

1995 / 2005
10 ANOS DA COMPANHIA PAULO RIBEIRO

Já passaram dez anos? É inevitavelmente um período para parar e olhar para trás. Qualquer criador tem a obrigação de desmontar tudo o que construiu, perceber qual é a verdadeira dimensão do somatório das suas obras.
Cada criação, cada projecto realizado, obriga a interrogação até ao limite. Nunca nada é pacífico, nunca nada é linear, estamos sempre à beira do precipício que aumenta à medida que criamos. É verdade que cada obra é como um recém-nascido impaciente de crescimento e é também verdade que, com saber ou intuição, cada criação deveria ser um passo em frente na capacidade de dizer, na capacidade de existir, na capacidade de se fazer presente de forma intemporal. Idealmente, a criação contemporânea não deveria ter tempo. Os coreógrafos distinguem-se pela personalidade e pela longevidade das suas obras.
A nossa primeira década foi desenfreada, actuámos numa série de frentes, além da criação houve muita circulação, internacionalização e descentralização. Várias vezes pensámos soçobrar, várias vezes quisemos desistir, várias vezes nos deixámos assustar pela ilusão da inutilidade. A travessia foi realmente longa, há imenso para trás. O suficiente para nos deixarmos surpreender por um reconhecimento que nos torna cidadãos do mundo.
Este tempo é inevitavelmente de introspecção, não paramos, mas olhamos para o que ficou. Por isso a Claudia Galhós vai mergulhar em tudo o que ficou para trás e reescrever a história que será determinante para o futuro. Por isso, a Leonor Keil, o Vítor Rua, o Nuno Rebelo e eu próprio iremos remontar e sobretudo recriar as peças que desenvolvemos em conjunto. Das obras feitas antes do período viseense (Sábado 2, Rumor de Deuses, Azul Esmeralda e Memórias de Pedra) será criada uma nova obra. Quer dizer que me deixarei inspirar pelos materiais e ideias destas obras para conceber um objecto actual e diferente. Vamos ainda recorrer aos intérpretes das criações originais para, em conjunto e com a cumplicidade e amadurecimento desenvolvido ao longo destes anos, lançarmos as nossas afinidades para desafios que possam ser surpreendentes para todos.
Enfim, vamos celebrar o tempo passado como matéria de futuro. O que existe de fascinante na criação é: o que foi feito não é mais do que uma ínfima parte de tudo o que há por descobrir.

Paulo Ribeiro


Tudo começou por um telefonema. Um convite para fazer aulas, assistir a ensaios da primeira peça da companhia Paulo Ribeiro e, através de um protocolo com o Britsh Council, poderia ainda ter a possibilidade de fazer um curso em Inglaterra. Esse foi o convite feito pelo o próprio Paulo que aceitei de imediato, com grande alegria, pois nada era um compromisso, apenas algo irrecusável e aliciante para quem tinha começado há tão pouco nestas andanças de querer ser bailarina, ou artista de bailado como me intitulam nas finanças.
Pois passaram-se 10 anos e o convite foi-se mantendo. Muitas aulas aproveitei, ensaios em que participei, muitas foram as obras que interpretei, e em vários países, por vezes também em representação de Portugal.
De Lisboa, a aventura deslocou-se alguns quilómetros para norte, onde presenciei o nascimento de um teatro e a companhia teve um novo renascer. De maioria portuguesa passou a estrangeira, deu asas a novos rumos de carências e vontades, desafios a enfrentar. Mas as aulas lá estavam, os ensaios, as viagens pelo estrangeiro. Agora como uma companhia de Viseu, identidade nova na nossa mente de cidadãos do mundo acima de tudo portugueses, apercebemo-nos do quanto é importante ser representante de algo específico.
A ausência do Paulo da companhia, mesmo sabendo que pode ser temporária, e a importância dessa decisão abalou a moral, mas em pouco tempo foi renovada, porque as velas do navio estavam içadas e este navega por mares de águas com tesouros por encontrar.
E assim passam-se 10 anos com a sensação de tudo ter começado ontem. com a mesma vontade, um pouco mais aguçada de querer ir mais além, e propagar o prazer de comunicar.
Belos anos, espero por muitos mais. que o horizonte seja vasto.
E ainda espero uma coisa, o tal curso em Inglaterra que ficou por fazer!

Leonor Keil

A comemoração de 10 anos de existência de uma estrutura artística em Portugal é, antes de tudo, uma confirmação de persistência contra a adversidade. Mas é também, ao mesmo tempo, o prenúncio da passagem para a maturidade, depois de um período de afirmação e crescimento.
Nesta ocasião, que queremos celebrar com todos quantos nos têm acompanhado: artistas, técnicos, público, amigos, etc.; pretendemos produzir um espectáculo que constituirá uma revisitação dos primeiros anos de actividade desta companhia, através da re-criação de alguns momentos coreográficos das obras mais emblemáticas do seu reportório desse período, que corresponde à fase da residência em Lisboa, até ao ano da mudança para Viseu.
Paralelamente está projectada a edição de um livro acompanhado de um DVD que tentará fazer a síntese desta primeira década de actividade, através de uma selecção de textos, críticas, entrevistas e imagens.
       
Albino Moura

Coreografias Paulo Ribeiro, Remontagem das obras Leonor Keil, Músicas Nuno Rebelo; Vítor Rua, Figurinos Rafaela Mapril, Iluminação Nuno Meira, Intérpretes Amélia Bentes, Leonor Keil, Marta Cerqueira, Marta Silva, Romulus Neagu, Luís Guerra,Zvonimir Kvesic, Músicos ao vivo Nuno Rebelo, Vítor Rua, Produção Companhia Paulo Ribeiro, Co-produção Teatro Viriato, Viseu, Outros parceiros Centro Cultural de Belém, Lisboa, Teatro Municipal de Faro, Faro Capital Nacional da Cultura 2005, O Espaço do Tempo - Montemor-o-Novo, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, Teatro Pax Júlia, Beja, Teatro Municipal da Guarda, Teatro de Vila Real, Arte em Rede, Teatro Nacional S. João, Porto, Apoios Estrutura financiados pelo Ministério da Cultura / Instituto das Artes, Companhia residente no Teatro Viriato, em Viseu, Duração aproximada 60 minutos sem intervalo

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