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Sexta, 28 Abril a Quinta, 29 Junho
Exposição | Palácio Vila Flor
“Merda”
Alexandre Estrela
O Centro Cultural Vila Flor apresenta, a partir do próximo dia 28 de Abril, a exposição de Alexandre Estrela, que estará patente até ao dia 2 de Julho, no Palácio Vila Flor. Intitulada “Alexandre Estrela”, apresenta seis novas peças que partem da acção do graffiti e da utilização do “stencil”.

A exposição foi criada em torno de uma personagem que, desde os anos 80, pinta a palavra "MERDA", de 15 em 15 metros, em toda a extensão da Estrada de Benfica, em Lisboa. Ao  percorrer o trilho do autor, que o artista  desconhece, Alexandre Estrela foi recolhendo/fotografando as 160 marcas da sua passagem, retractando automaticamente Benfica. Na mira da palavra "merda" o bairro Benfica desenrola-se num ritmo cinzento num permanente dejas-vu.

O "livro Merda" é um livro desta recolha exaustiva, um livro que se centra única e exclusivamente na palavra "merda", relegando Benfica para um plano anódino. Visto como um Flip-book, ou seja, a uma velocidade de leitura média de 12 páginas por segundo, a palavra "merda", meticulosamente centrada na página, lê-se animada e vibrante, suspensa numa paisagem periférica.

O "vídeo Benfica" é uma filmagem do desfolhar rápido e singular dos 500 exemplares do livro. A animação resultante é acompanhada de um som intitulado "The Brown Tone". Esta frequência mítica (um sub-grave de 22.275 Hz, utilizado como arma sónica pela polícia Japonesa) tem a  particularidade de estimular os intestinos. Assim, ao folhear este livro de autor, ou melhor ao animar o "merda", cria-se resultados incontroláveis, de repercussões caóticas, idênticas aos dados pelo bater das asas da borboleta na criação de um terramoto.

Para além destas obras, Alexandre Estrela apresenta outras em que o "stencil" e o graffiti são determinantes, como por exemplo, "Bonjour Tristesse". Bonjour Tristesse é um edifício de habitação social da autoria de Siza Vieira no bairro Kreutsberg, em Berlim. O nome do edifício deriva de um graffiti subversivamente desenhado no topo da sua fachada após a sua construção. Não se sabe a intenção política do gesto, se este foi um desabafo de descontentamento dos moradores ou um gesto gratuito após um raid de extremistas de direita. O que se sabe é que dadas as características excepcionais site-specific do graffiti, Siza Vieira assumiu-o como título da sua obra apesar de nem a linguagem nem o processo fazerem parte da sua metodologia de trabalho.

Alexandre Estrela repetiu a acção escrevendo o mesmo graffiti na fachada do edifício da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), em Lisboa. Apesar de ser uma obra menos conhecida e obscura de Siza Vieira (em colaboração com António Madureira), é, segundo Estrela, aquela em que ele dá continuidade à lição de Berlim. 
Alexandre Estrela nasceu em Lisboa, em 1971, e estudou Pintura na Escola Superior de Belas Artes da Faculdade de Lisboa, tornando-se Mestre na School of Visual Arts em Nova Iorque. Faz parte da nova geração de artistas portugueses, e tem exposto e organizado exposições desde 1994. Neste momento, está a preparar uma exposição para o Museu do Chiado.

 

SOMETIMES HE SIGNS MANET SOMETIMES HE SIGNS MONET
Mural para Escola de Arte, projecção de slide de 35mm, 2005

BENFICA (O VÍDEO)
Projecção Video 60´, cor, PAL, Som amplificado com um subwoofer de 21 polegadas, 2006

BONJOUR TRISTESSE
Projecção de slides de 35mm, 2006
 
PHOTOSHOP
Desenho grafite, A4, 2006

MERDA (O LIVRO)
500 Exemplares de um livro de 160 páginas impressas a uma cor, 2006

MERDA (O STENSIL)
Lambda print, cor 80cmx120cm, 2006

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