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Quinta, 15 Junho | 22h00
Teatro | Grande Auditório
Ella
de Herbert Achternbusch

"Ella" é um espectáculo marcadamente intimista por força de um curioso dispositivo cénico que junta em palco actores e público, em que Fernando Mora Ramos é Joseph, filho de Ella, mulher a quem a vida negou um resto de esperança ou humanidade. 

Construído a partir de uma memória pessoal da barbárie nazi, o texto do dramaturgo alemão Herbert Achternbusch procura também o que resta de nós no quadro do pragmatismo economicista dos novos tempos. Uma longa fala construída numa infra-língua, uma língua fruto de maus-tratos, de choques eléctricos e de uma deficiência que se acentua.

No palco há uma gaiola. Uma capoeira que fecha à frente com uma rede de arame. Ao fundo, em poleiros, estão pousadas híbridas brancas. Do lado direito, ao comprimento, há uma cama. No meio uma mesa, um grande despertador, dos baratos, faz tic-tac com um som metálico. Sacas de café, um moinho de café eléctrico, uma cafeteira e uma chávena grande. Um fogareiro com uma panela cheia de água. Uma caixa com um rótulo que indica claramente conter veneno. Em primeiro plano, um degrau mais abaixo e à sombra, está sentada Ella a olhar para um televisor que transmite a programação do dia. Fora da gaiola não há qualquer luz. José é o filho. Traz uma peruca de penas de galinha feita por ele mesmo e traz vestida uma bata. Não deixa qualquer dúvida que ele é a mãe. Está permanentemente às voltas com os utensílios do café. Oferece o café, quando pronto, a si próprio, a Ella e ao público. Por fim embebe um quadradinho de açúcar em cianeto de potássio e mexe, mexe, bebe e cai para o lado com um grande estrondo. O estrondo espanta Ella, que, à vista do morto, se vai abaixo, grita, e, aos gritos, rasga a bata e corre nua pela gaiola até a luz se apagar. Ella é a mãe.

Tradução Idalina Aguiar de Melo, Encenação Fernando Mora Ramos, Dramaturgia e direcção de ensaios Isabel Lopes, Cenografia José Carlos Faria, Iluminação Fernando Mora Ramos e António Plácido, Interpretação Clara Joana e Fernando Mora Ramos

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