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Sábado, 6 Fevereiro | 16h00
Dança | Outros Locais
Debate | O corpo inter-relacional
Atividades Paralelas | GUIdance 2016
No âmbito da 6ª edição do GUIdance, a Plataforma das Artes e da Criatividade irá acolher um encontro internacional para debater as relações entre a dança e as outras artes, contando com um conjunto significativo de profissionais e aberto à comunidade em geral.
O debate contará com a moderação de Cláudia Galhós e participação de Rui Torrinha (programador GUIdance), Victor Hugo Pontes (coreógrafo/encenador/criador), Marco da Silva Ferreira (criador/intérprete), Jorge Mota (actor), Cristina Planas Leitão (criadora/coreógrafa/intérprete), Vera Mota (performance/ artes visuais), Hugo Cruz (criador, programador, autor do livro “Arte e Comunidade”), Miguel Moreira (criador/intérprete), Carlos Zíngaro (músico) e João Sousa Cardoso (artes visuais/ artes performativas/literatura).
 
Entendemos a Dança num sentido amplo, com o corpo como veículo primordial de comunicação, expressão artística e de um permanente questionar da natureza inescapável de que todos somos seres relacionais.
A dança (ou corpo, sendo que a entidade corpo também pode ser posta em causa e não signifcar meramente o corpo humano) é aqui abordada como lugar inter-relacional e interface de comunicação entre diferentes artes e culturas. Em causa está, portanto, pôr em diálogo e relação diferenças e valorizar o encontro, informal, dessa diversidade, de territórios artísticos e humanos de referência, de perspetivas, de formas de pensar o mundo, de poéticas distintas... Cada artista/indivíduo presente neste encontro contém em si, no seu universo pessoal e artístico, já essa diversidade posta numa permanente dialética interior que está na origem de objectos artísticos e estratégias de pensar e, posteriomente, materializar essa convivência pessoal de múltiplos paradoxos.
Propomos levar essa constatação a um outro nível, que está em sintonia com a identidade da edição de 2016 do festival GUIdance: pôr em diálogo, numa comunidade provisória informal, cúmplice, e partindo de um desejo de partilha, nomes da criação contemporânea portuguesa que atuam em territórios distintos a partir de sensibilidades, interesses e questionamentos singulares.

Algumas questões que desejamos abordar neste encontro que, acima de tudo, inscrevem no contexto do festival GUIdance um primeiro gesto de partilha informal aberto a todos que se queiram juntar e fazer parte desta comunidade provisória:
•    Que mundos são esses que cada um põe em diálogo interior consigo próprio antes mesmo de os confrontar com um mundo exterior, que pode ser um público, um visitante de uma exposição, um contexto comunitário como uma prisão ou uma fábrica?
•    Entre a palavra, o movimento e a produção de imagens, qual a capacidade expressiva do corpo mudo, sem cair em literalidades ou expressionismos de outros tempos?
•    Que relações temporais, entre inquietações do presente e pesquisas de uma história passada, são urgentes estabelecer hoje?
•    Que qualidade de presença, ou estados, se criam para amplificar a ressonância da presença do corpo num presente partilhado?
•    Que espaço relacional é este que a arte deve criar, e que é diferente para cada artista e, certamente, é diferente a cada momento na história da identidade do universo artístico de cada criador?
•    Que corpo é este habitado simultaneamente pelo erudito, o ritualístico, o tradicional e o mainstream?
•    Qual o papel atual da música na relação com o movimento?
•    De que forma se relacionam os corpos de profissionais e não profissionais na criação do hoje? Quais os diálogos estabelecidos nas criações entre estes diferentes intervenientes?
•    Que relações existem entre as dimensões artística e política na criação atual? Como manter o estranhamento e evitar a instrumentalização?
•    Como é que o corpo pensa e produz /lugar cidade no âmbito das práticas artísticas comunitárias? Quais os dilemas essenciais dos cidadãos comuns e artistas?
•    Que relação existe entre diferentes linguagens artísticas e outras disciplinas e formas de produzir conhecimento?
•    A centralidade do espaço público na criação é inevitável hoje?
•    O que é que significa a construção do espaço público do encontro? Até onde o podemos levar?
•    Que obsessões são recorrentes no mundo particular de cada criador?
•    Qual a questão primordial que o habita neste momento?

"Aprender como trabalhar em conjunto de um modo compassivo e atencioso está a tornar-se o padrão de procedimentos operativos num mundo complexo e inter-dependente" (em "The Empathic Cicilization – The Race to Global Consciousness in a World of Crisis", de Jeremy Rifkin)

"A dança está no mundo, refere-se a esse mundo, mas também cria a sua própria realidade. Não é simplesmente reflexiva da realidade social corrente mas pode ser um gesto em direcção a um outro; é capaz de projectar outras possibilidades, aludindo a um futuro, a um passado e a um outro presente." (citação do coreógrafo Russel Dumas, em "Bodies of the Text – Dance as Theory, Literature as Dance", de Ellen W. Goellner & Jacqueline Shea Murphy)
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