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Local: Auditório da Universidade do Minho
Sábado, 18 Junho | 22h00
Teatro | Outros Locais
Pela Boca Morre o Peixe
Trigo Limpo Teatro Acert

por um lado
Algumas imagens com água e peixes surgem ciclicamente.
Mesmo nos sonhos.
Primeiro o nascimento: essa saída brusca do líquido e a passagem à vida, a esta.
Depois o voar, apenas possível no estado líquido da matéria, e a metáfora dos peixes.

Ainda por cima alguns textos pedem repetidamente atenção,
martelam-nos novas ideias para as mesmas palavras.

(Ainda no Teatro Animação de Setúbal esteve quase preparada uma versão de "no alto mar", de Mrozek e já no teatro o bando o apelo da água voltou e na pregação falámos com os peixes, como o António, e falámos de peixes e fomos peixes.)

Há muito tempo que certas coisas andam cá por dentro a remoer.

E os anos passam (30 sobre o 25 de Abril) e a metáfora dos peixes, grandes e pequenos, do que é que vamos comer ou como é que nos vamos comer, da concretização dos sonhos, martela-nos ciclicamente com imagens e textos.

E tudo isto, de água e peixes, continua por dentro a moer.

Agora, no Trigo Limpo, chegamos a este pela boca morre o peixe porque:

A metáfora ainda tem razão de ser e existir.

A cidadania, a democracia, o sermos nós,
mesmo nos sonhos,
ainda se pode e deve discutir e aprender e concretizar.

Continuamos a teimar que o estado líquido é o único estado da matéria em que o ser humano é capaz de voar por dentro. (É por dentro do azul que podemos voar.)

Daí esta nossa inclinação para peixes.
Esta vocação para pregar aos ditos.
Este estar disposto a ser sempre a fingir.

por outro lado
Temos andado sempre às voltas com os espaços de apresentação dos espectáculos: em sala, na rua, em espaços mais ou menos convencionais, mais ou menos adaptados.
Ao mesmo tempo tentando perceber que há teatro de rua e teatro na rua,
que podemos estar na sala a fingir que estamos na rua
ou que podemos estar na rua a fingir que estamos na sala.
E se este p´la boca já pediu rua e água
vai agora parar à sala, se calhar, com água.
Porque por detrás de tudo está o despojamento dos sem abrigo,
que como numa sala estão na rua .
São náufragos mesmo ali na esquina.
.
Pompeu José

em resumo
Vê-se no espaço um peixe-barco já só espinhas.
É noite.
Enquanto o público entra todos dormem.



Preço dos Bilhetes

Textos "Sermão de Santo António aos peixes" de Padre António Vieira (excerto), "No alto mar" de Slawomir Mrozek, "Se os tubarões fossem homens." de Bertolt Brecht, "O aquário" de Karl Valentin, Dramaturgia e encenação Pompeu José, Actores Ilda Teixeira, Pompeu José, Ruy Malheiro, Sandra Santos, Assistência de encenação Paulo Neto, Cenografia José Tavares , Marta Silva, Música Fran Perez, Xacobe Lamas, Figurinos José Rosa, Técnica João Paulo, Luís Viegas, Paulo Neto

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