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Sábado, 12 Julho | 22h00
Música
Solos



Sábado, 12 de Julho - 22h00
Performance
Solos

Pequeno Auditório
Preço: ?10,00/?7,50 c/ desconto

Numa só noite são apresentados três solos "Uma misteriosa coisa, disse o E. E. Cummings", "Olympia" e "Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois" três criações emblemáticas da carreira de Vera Mantero enquanto coreógrafa e bailarina.

Uma misteriosa coisa, disse o E. E. Cummings
Pensava a regressada Josephine por volta de meados de Agosto de 1995:
"Depois de ouvir um discurso na rádio do presidente português Mário Soares (não me lembro se no 25 de abril se no 10 de junho), em que ele falava do mundo neste momento com qualquer coisa que se deve poder chamar alguma elevação de espírito (que é uma coisa que infelizmente surpreende imenso por estes dias num político, e que se ouve com imenso agrado), associei esse discurso ao Glenn Gould e às suas Variações Goldberg (as da maturidade), ao Kazuo Ohno, e a uma expressão que me surgiu na cabeça, "grandeza de alma". O meu grande desejo de uma vitória do espírito, acho que é o que esta associação revela.
É uma coisa que eu gostava de encontrar ou de criar, um amplo território em que a riqueza de espírito reinasse. (Será educação massiva a resposta?). Este espírito de que falo não tem vontade nenhuma de anular o corpo, nem vergonha nenhuma do seu desejo e do seu sexo, o que este espírito de que falo tem vontade de anular é a boçalidade, a assustadora burrice, a profunda ignorância, a pobreza de horizontes, o materialismo, etc. etc. (infelizmente a lista tem ar de ser longa...). Seria uma nova dicotomia, não a estafada "corpo-espírito" (e vazia de sentido, francamente!), mas a infelizmente actual "burrice-espírito" (ou talvez "boçalidade-espírito"). Ou todas as possíveis variantes (era bom decidir-me por uma...)".
Vera Mantero

Concepção e interpretação Vera Mantero
Caracterização Alda Salavisa (desenho original de Carlota Lagido)
Adereços Teresa Montalvão
Desenho de luz João Paulo Xavier
Adaptação e operação de luzes Bruno Gaspar
Produção executiva Forum Dança (1996), O Rumo do Fumo
Apoio Casa da Juventude de Almada, Re.al / Amascultura
Produção Culturgest, Lisboa, 1996, "Homenagem a Josephine Baker"
Duração 20 min.

Olympia
"Vera Mantero numa nudez total ressalvada apenas por uns chanatos de quarto azul bebé atravessa numa diagonal o palco do teatro, lentamente, arrastando uma cama de ferro presa ao seu braço esquerdo, como se se tratasse de um pesado fardo. Na mão direita segura um exemplar do livro Asfixiante Cultura de Jean Dubuffet.
Mais uma vez, Vera Mantero vai às outras artes e disciplinas (aqui a pintura e sociologia) roubar, esventrar, citar o que necessita para a sua dança, para que a dança seja - toda ela - menos insuficiente.
No final do seu percurso a coreógrafa bailarina senta-se sobre a cama desfeita e olha fixamente para o público. Esta Olympia de Vera Mantero está para além da dança, para ser uma performance sobre o uso do corpo. De repente e apenas por breves minutos todos os monstros, todos os rebeldes de Goya a Artaud são convocados para testemunharem a história do uso do corpo pela cultura do poder, mas também o da rebeldia dos corpos. Em cinco minutos se expõe, claramente, a relação mercantil da arte com o dinheiro, mas também a sua denúncia."
António Pinto Ribeiro, in Dança Temporariamente Contemporânea

Concepção e interpretação Vera Mantero
Luzes João Paulo Xavier
Adaptação e operação de luz Bruno Gaspar
Texto Jean Dubuffet
Música extractos de música dos Pigmeus Bakma, Camarões
Agradecimentos a Ana Mantero e Miguel Angelo Cabral na execução dos adereços
Produção O Rumo do Fumo
Duração 15 min.

Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois
Acho que as minhas peças nascem todas por acaso. Demasiado por acaso. Gostava de ser um bocadinho mais metódica. Mas penso que para se ser metódico é preciso acreditar e eu tenho um problema de falta de crença. A arte, a criação, são das coisas que mais me interessam na vida, mas parece que, de cada vez que me ponho a fazer qualquer coisa nesse campo, deixo imediatamente de acreditar nela. E depois acabo por deixar de acreditar na própria vida e noutras coisas por aí fora.
A minha relação com a dança gira à volta das seguintes questões: o que é que a dança diz? o que é que eu posso dizer com a dança? o que é que eu estou a dizer quando estou a dançar?
Eu não queria fazer esta peça. Felizmente houve alguém (o Bruno Verbergt, do festival Klapstuk) que me pôs um palco à disposição e me disse para fazer em cima dele exactamente aquilo que precisasse de fazer. Foi o que eu fiz. Esta peça nasceu a partir destas coisas que acabei de dizer.
Vera Mantero

Dançado por Vera Mantero
Cenografia André Lepecki
Música Thelonius Monk "RUBY, MY DEAR"
Figurino Vera Mantero
Desenho de luz João Paulo Xavier
Adaptação e operação de luz Bruno Gaspar
Produção Pós D´Arte, (1991), O Rumo do Fumo
Apoio financeiro Instituto da Juventude
Outros apoios Companhia de Dança de Lisboa, uma encomenda do Festival Klapstuk 91 no âmbito da Europália Portugal 91
Duração 20 min.

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