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Local: Auditório da Universidade do Minho
Sábado, 16 Julho | 22h00
Dança | Grande Auditório
Sopro
Companhia Rui Lopes Graça

SINOPSE
DA COREOGRAFIA
Sopro, é um espectáculo para cinco intérpretes, com aproximadamente uma hora de duração, cujo propósito é reflectir e traduzir num ambiente coreográfico, memórias individuais e a sua relação com o mundo que as envolve.
A partir de momentos marcantes da vida de cada intérprete, são invocados diferentes espaços de tempo da existência individual que, em determinados momentos se combinam com o colectivo. Dito de outra forma, os traços que desenham a nossa vida individual, não estão dissociados do colectivo que os abarca e com o qual interage.
Sopro, é esse estímulo que funciona como indutor, que inicialmente faz procurar referências nos recantos da memória e posteriormente se transforma numa sensação geradora de movimento, que levado por esse impulso inicial, redirecciona, fragmenta e compõem materiais que agrupados constituem frases e discursos do corpo e da alma.
Sopro é a causa e ao mesmo tempo, o efeito. Esta acção mútua e inclusiva convoca à memória gestos guardados sem saber, onde as palavras perdem a força face ao indizível do gesto.
Nesta interacção infinita, encontram-se espaços e formas que nos habitam, com a mesma inibição que se escondem. Reencontrar esses recantos para também recordar, que cada corpo tem uma pulsão que transcende os limites individual e mergulha numa cadência colectiva incontrolável onde a razão perde força face ao intrínseco.
Sopro, convoca e condiciona múltiplas memórias que definem múltiplos ambientes e espaços.
Do corpo despido ao corpo vestido e revestido
A variação das dinâmicas e ambientes musicais, assim como a mudança de vestuário, ambiente de luz e postura dos intérpretes, dá expressão e identidade a cada um dos momentos criados. Estas componentes integrantes do espectáculo, vão sendo usadas desde o primeiro momento do processo criativo, para que assim possam também ser, elas próprias, agentes nesse processo de procura. 
O espectáculo Sopro, é habitado por diferentes latitudes da memória sem uma linearidade espacial ou temporal. São diferentes momentos compostos por diferentes células ou identidades.

Rui Lopes Graça
ALGUNS EXCERTOS DOS TEXTOS DOS INTERPRETES

(.)
Percorremos terras, lugares, pessoas, espaços, momentos, onde por vezes paramos ou às vezes passamos e marcamos ao indelével a nossa presença (uma pincelada de aguarela com excedente de água).
Avançamos...
(.)
Tudo avança apenas ficam as memórias, a saudade, a vontade de reviver, o desejo de reciclar momentos, sensações, de voltar  atrás.
Continuamos a avançar

Constança Couto


Posso trazer tudo de volta,
Até mesmo amanhã, se quiseres!
Vou silenciosa.
Sem guardar nada no colo, guardando apenas espaço para tudo o que estiver para vir.
Posso trazer tudo de volta!
Até mesmo amanhã, se quiseres!
Toma bem conta de ti!
Disse-te ao sentir-te os soluços escondidos que os teus olhos húmidos não conseguiam evitar.
Foste o meu melhor amigo.
Posso trazer tudo de volta, se quiseres.
Sai em silêncio, não voltei!

Helena Martins


DA INTENÇÃO MUSICAL

"O Sopro transforma-se num vento, como também numa corrente. O Ar, que se tornou numa corrente, transforma-se em Sons, que flutuam no Espaço. Com essa Corrente, o Espaço expande o seu alcance até ao infinito."

Isao Matsushita

 

Um início, quebrado em estilhaços. Um manifesto, como lema... três variações - deformação, criação de matéria, comentários, sínteses, mente livre, intuição, textura, leve... um grito... etc. ...
Para o "Sopro" de Rui Lopes Graça, deixei-me levar pelo "Quodlibet" de Emmanuel Nunes: obra essa escrita especialmente para um enorme agrupamento instrumental, "espalhado" pelo vasto "corpo" sonoro do Coliseu dos Recreios. Essa obra foi feita para ser ouvida nesse espaço e a sua composição é "talhada" para aí ser sentida. Dessa mesma forma, escrevo para um espaço acústico próprio (e imaginário!), recreado através de seis altifalantes, que "abraçam" o público.
Viajo com a citação de Matsushita, com memórias de Takemitsu, retratos pianíssimo de Lanchenmann, pesadelos com Pollock, conversas de uma década e tal com o Alejandro... os bailarinos reviveram memórias no seu processo de trabalho e eu decidi reviver uma séries de momentos, que a minha memória já desfez, tão deliciosamente...
Estes pontos de partida são, também, pequenas faíscas para despertar alguns interesses recentes que tenho vindo a explorar. As possibilidades expressivas da informática musical, o processo criativo como espaço de escuta interior e (talvez mais importante) a tentativa de trabalhar com grandes formas e de dar "forma" a um espaço de tempo vazio, à espera de ser preenchido pela pulsação/vibração vital do som.
Som, esse, que (se possível...) gostaria de fazer viver, guardar dentro da mão e, com um inspiração violenta, entrar dentro dele para "viver" a sua textura.

Pedro Carneiro


DOS FIGURINOS:
O conceito dos figurinos para Sopro, é uma escolha de roupa "pronto-a-vestir", de preferência em segunda mão, já vivida e com história, que os bailarinos usam ao longo da coreografia, implicando até as próprias peças de roupa, dramaturgicamente na coreografia. Diferentes peças de vestuário podem convocar situações, temperaturas e emoções diferentes. Uma peça de roupa pode sugerir um comportamento ou uma atitude ao seu intérprete. Estar de fato de banho ou de vestido de noite, de sobretudo ou de t-shirt, não é indiferente. O que é que um trapo sopra ou sugere ao nosso corpo?
Será que o movimento é o mesmo com qualquer roupa? E se é, em que é que se alterou na leitura do espectador?
As roupas podem ser encontradas ao longo do processo de criação como resultado do próprio processo que acaba por determinar os figurinos, podendo também podem eles próprios ser geradores de memórias dos intérpretes, provocando-os no seu imaginário.

Vera Castro


DAS LUZES:
Como ponto de partida para a minha colaboração neste projecto da Companhia da Rui Lopes Graça, que tem como base um espaço cénico vazio (ou quase), proponho o desenvolvimento de uma linguagem em que o palco seja rasgado pela luz de uma forma dinâmica.
Por vezes esse movimento é inconsequente, outras choca com os corpos, estimulando-os. Em sentido inverso, também certas acções dos bailarinos podem ter consequências sobre a luz.

Jorge Ribeiro

Coreografia Rui Lopes Graça, Musica Original Pedro Carneiro, Figurinos Vera Castro, Desenho de Luz Jorge Ribeiro, Interpretação Constança Couto, Helena Martins, Jácome Filipe Silva, Madalena Silva e Mário Sanchez, Produção Sandro Benrós, Coordenação/Direcção Técnica Henrique Andrade, Fotografia Rodrigo César, Duração do espectáculo 60min. (s/ intervalo), Classificação Espectáculo para maiores de 6 anos
Co-Produção
 A Oficina

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