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SÁBADO 21 NOVEMBRO, 16H00
Projeto Sonoscopia - Reijseger/Fraanje/Sylla Trio
Em 2026, a parceria entre Guimarães Jazz e o coletivo Sonoscopia conhece um novo capítulo, desta vez protagonizado pelo trio Reijseger-Fraanje-Sylla, um grupo formado por três músicos de gerações e percursos distintos com uma relação de grande cumplicidade artística desenvolvida ao longo de vários anos de colaboração criativa. À Imagem dos instrumentistas que o compõem, este projeto apresenta caraterísticas singulares, ancorando-se em diferentes tradições musicais – neste caso, o jazz, o cancioneiro africano e a música erudita – por forma a criar um vocabulário próprio.
O violoncelista, compositor e improvisador neerlandês Ernst Reijseger (n. Países Paixos, 1954) é um músico histórico com um percurso extraordinário ao longo das últimas cinco décadas nos diferentes domínios do jazz, da improvisação, da música clássica e barroca e da world music. Um instrumentista idiossincrático e interessado na disrupção de géneros musicais – tanto que a sua primeira presença no Guimarães Jazz, há 26 anos, contribuiu para um debate aceso e polarizador entre críticos musicais sobre a legitimidade da contaminação estética no jazz –, as primeiras duas décadas da carreira deste violoncelista foram marcadas por uma intensa atividade colaborativa nos parâmetros das formações – nomeadamente o Clusone Trio, em conjunto com Michael Moore e Han Bennink – ou em projetos liderados por alguns mais influentes músicos de jazz e da música improvisada europeia e norte-americana – Louis Sclavis, Drek Bailey, Misha Mengelberg, Steve Lacy ou Gerry Hemingway, entre muitos outros. O início dos anos 2000 marcam uma inflexão no percurso de Reijseger, progressivamente focado na sua própria atividade composicional, documentada em mais de uma dezena de álbuns editados pela prestigiada Winter & Winter – o primeiro dos quais “Colla Parte” (2004), uma obra-prima da música do final do século XX gravada em conjunto com o grupo vocal Voches de Sardinia. Ao longo do seu percurso, Reijseger permaneceu fiel aos princípios de transversalidade musical por via de colaborações com músicos oriundos de geografias periféricas à tradição europeia – tais como Trilok Gurtu, Naná Vasconcelos ou Ceylan Ertem – e expandiu o seu corpo de trabalho através de associações com a literatura, o teatro, as artes plásticas e o cinema.
Harmen Fraanje (n. Países Baixos, 1976) é considerado pela crítica especializada um dos mais impressionantes pianistas europeus da sua geração, uma reputação sustentada num corpo de trabalho autoral e colaborativo ao mais alto nível do jazz internacional. Fraanje co-lidera ou é membro integrante de várias formações que têm em comum a exploração de sonoridades heterodoxas e o estabelecimento de relações criativas com músicos com identidades geográficas e sensibilidades artísticas distintas. Ao longo da sua prolífica carreira, o pianista neerlandês teve a oportunidade de colaborar com alguns dos mais destacados músicos de jazz da atualidade (Ambrose Akinmusire, The Bleckmann, Tony Malaby ou Ben Monder, entre outros), assim como com outras figuras de relevo da música global, incluindo a cantora portuguesa Cristina Branco.
Natural do Senegal e sedeado em Amesterdão desde 1987, Molla Sylla (Dakar, 1956) é um vocalista e multi-instrumentista com uma obra marcada pelo cruzamento de culturas musicais. Um cantor dotado e altamente expressivo, cuja performance vocal é complementada pela exploração das sonoridades de instrumentos não-ocidentais como mbira, kongoma ou kalimba, Sylla foi o fundador dos grupos Senemali – um ensemble associativo composto por uma mistura de músicos senegaleses e malianos – e Vershki Da Koreshki (renomeado Vedaki), um quarteto multinacional composto, entre outros, pelo pianista russo Alexei Levin. O percurso artístico de Sylla é também marcado pelas relações criativas com o contrabaixista avant-garde Vladimir Volkov e, evidentemente, Ernst Reijseger, com quem Sylla colaborou extensivamente em inúmeros projetos, inclusivamente na composição das memoráveis e comoventes bandas sonoras para os filmes de Werner Herzog “White Diamond” e “The Wild Blue Yonder”, ambas editadas como uma obra única no álbum “Requiem for a Dying Planet” (2006).
Maiores de 6
Ernst Reijseger (violoncelo)
Harmen Fraanje (piano)
Mola Sylla (voz, m'bira, xalam)